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O farmacutico na intercambiabilidade de medicamentos biolgicos

Postado em 10/01/2019 as 12:36:18

No ms de dezembro, encerraram-se as discusses no Ministrio da Sade (MS) sobre a Poltica Nacional de Medicamentos Biolgicos no mbito do Sistema nico de Sade (SUS). O Conselho Federal de Farmcia (CFF), membro do Grupo de Trabalho (GT) que debateu e formulou esta poltica, participou ativamente das discusses, finalizadas no dia 14/12, quando o documento foi concludo e dever seguir para consulta pblica e posterior aprovao do ministro da sade. Um dos assuntos que envolvem a questo dos biomedicamentos o alto custo de aquisio. A alternativa a este problema, enfrentado por sistemas de sade no mundo inteiro, tem sido o uso de medicamentos similares, no caso, os biossimilares.

A farmacutica Pamela Alejandra Saavedra, do Centro Brasileiro de Informaes sobre Medicamentos (Cebrim/CFF), participou de todas as reunies mensais do GT que props a Poltica Nacional de Medicamentos Biolgicos, de agosto a dezembro de 2018. Ela explica que as patentes para a produo de medicamentos biolgicos no Brasil esto se encerrando. E, com isso, abre-se um amplo mercado para a produo de biossimilares. Consequentemente, inauguram-se oportunidades para a atuao de farmacuticos na intercambiabilidade desses medicamentos.

Embora seja muito comum serem prescritos para o tratamento de doenas como artrite reumatoide e cncer, por exemplo, muita gente ainda desconhece o que so e como funcionam os medicamentos biolgicos ou biomedicamentos. No Brasil, os medicamentos biolgicos so definidos pela RDC n 55/2010, da Anvisa, como medicamentos obtidos a partir de fluidos biolgicos ou de tecidos de origem animal ou medicamentos obtidos por procedimentos biotecnolgicos. Ou seja, Molculas com milhares de tomos encontrados naturalmente no corpo humano, como hormnios, anticorpos e outras protenas, exemplifica Pamela Saavedra.

So medicamentos de alto custo e que requerem uso de biotecnologia para sua produo, por isso, em muitos pases, assim como no caso dos genricos, so fabricados medicamentos similares, que no so cpias idnticas, como o caso dos sintticos genricos. Os biossimilares so medicamentos muito similares aos medicamentos biolgicos originais e tm efeito muito semelhante, assegura Pamela Saavedra: diferentemente dos genricos, que so cpias de molculas simples e pequenas como a aspirina ou o ibuprofeno, os medicamentos biolgicos so molculas muito maiores e complexas, fato que dificulta a produo de seu biossimilar.

A farmacutica explica ainda que pode existir uma variao biolgica muito grande e at mesmo lotes do mesmo medicamento podem ter pequenas variaes, mas isso no compromete os resultados do tratamento. Comparando medicamentos biossimilares com biolgicos originais, a Agncia Europeia de Medicamentos tem feito testes e comprovado que no h diferenas significativas entre elas que possam afetar o resultado do tratamento dos pacientes.

Por conta dessas diferenas, os medicamentos biossimilares no podem ser copiados como outros medicamentos, mas com a queda das patentes eles passaram a ser produzidos de forma semelhante. Na Europa, regio com mais biossimilares que qualquer outra parte do mundo, o primeiro biossimilar foi aprovado em 2006, pela Agncia Europeia de Medicamentos (AEM), fato que tem ampliado o acesso dos pacientes a tratamentos desde ento, pois tornaram os medicamentos bem mais acessveis.

O grande desafio que se coloca aos farmacuticos : como esses medicamentos no so idnticos aos de referncia, como eles podem ser substitudos? Pode ocorrer a substituio automtica pelo farmacutico, l na ponta, ou seja, na farmcia, da mesma forma que feita a troca do medicamento de referncia para o genrico e vice-versa? Pamela adianta que essas questes merecem ateno dos profissionais que querem se destacar num novo mercado que se abre com oportunidades, mas que exigir, certamente, formao especializada.

Leia mais sobre o tema no ltimo Boletim Farmacoteraputica, que tem como destaque o artigo da farmacutica do Cebrim/CFF, Carolina Xaubet: Medicamentos biolgicos e biossimilares

Fonte: Comunicao do CFF
Autor: Murilo Caldas

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